Escrevi um
post falando sobre o Parto Responsável, no qual eu dizia que o meu parto não
será normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem
cirúrgico... Será responsável! E a principal responsável por ele é
a mãe. Afinal de contas, as escolhas são feitas por ela, desde o médico até a
opção de manter-se bem informada. E, tendo acesso a informações confiáveis, de
fontes seguras como os livros, por que, muitas dessas mães, ainda fazem a opção
por um parto cirúrgico eletivo?
A cesariana é uma cirurgia segura, mas de grande porte. Ela deveria ser feita apenas por indicação médica, quando há algum tipo de risco para a mãe ou para o bebê. Ela serve para salvar vida e não para salvar tempo! Mas há uma predisposição para a cesárea no Brasil. E o índice é tão alto que uma amiga foi pedir para fazer cesárea na Alemanha e ouviu da parteira "você está achando que isso aqui é Brasil ou Hollywood?".
Sabemos que o valor do plano de saúde não compensa, que os médicos ganham mais em um dia de consultório do que em um parto normal e que, por isso, os planos não têm interesse na gestante de parto normal. Então o “parto passou a ser um ato cirúrgico ao invés de um evento fisiológico”.
Entretanto, o
trabalho de parto é algo fundamental para o nascimento. Existe toda uma preparação do corpo da mulher desde a 1ª semana de gestação. Nosso quadril vai se alargando aos pouquinhos, nossas articulações tornam-se muito mais flexíveis e, já no final, a ocitocina é liberada, as contrações começam, o colo do útero dilata... e ainda temos a endorfina como anestésico natural que alivia um pouco o desconforto dessas contrações! Sem falar na própria passagem do bebê pelo canal vaginal que faz com que ele seja massageado, o que ativa o seu sistema nervoso! Não é lindo?
O parto normal também é mais seguro, “é artesanal" e não uma "produção em série" em que “o ator principal do parto tornou-se o médico, o homem; o produto deste nascimento é o bebê e a mulher é o subproduto secundário.” E, para manter este modelo obstétrico atual, foi necessário construir a idéia de que a mulher é mesmo este subproduto secundário, incompetente e incapaz de dar conta do processo do nascimento por si mesma.
Mas toda
mulher sabe parir, toda criança sabe nascer e cada parto é único! O que eu
menciono entre aspas foi tirado do trailer promocional do filme Birth Reborn - O Renascimento do Parto que eu não vejo a hora de assistir! Uma das partes mais interessantes e que mais
chamou a minha atenção foi quando um dos entrevistados comenta: “nós combinamos
com o bebê que ele vai nascer sexta-feira às quatro da tarde? E, se combinamos,
ele respondeu pra gente que ele tem condições de nascer?”.
Eu, por
exemplo, estou há duas semanas esperando por Ícaro =) Entre uma
brincadeira e outra de que ele estava esperando nossa festinha passar, a minha
mãe voltar de viagem e parece que agora ele espera o trabalho do pai (em uma
cidade vizinha) terminar, estou tendo as contrações do pré-trabalho de parto,
ele já encaixou e desencaixou, recebo telefonemas de amigos e parentes ansiosos,
curiosos e preocupados e eu vou lidando com a minha ansiedade, curiosidade e
preocupação também. Ícaro pode chegar até 05/06 naturalmente, então, qualquer
dia é dia =) Parto natural é o meu maior desejo e esse momento de "será
que é hoje?" é a parte mais
divertida dessa história toda! Mas, sendo responsável, preciso também estar aberta para alguma intervenção cirúrgica caso haja indicação médica.
Por que tanto tempo de espera? Bem, estou dentro do limite de 38 a 42 semanas - estou na 39ª, mas ainda não se
sabe o que dá início ao nascimento. Há muitas teorias. Uma delas diz que a mãe libera
a ocitocina quando o bebê está completamente desenvolvido e pronto para nascer.
A ocitocina é conhecida como o hormônio do amor e é responsável pelas
contrações. Os cientistas já conseguiram sintetizá-la e a usam para
induzir o trabalho de parto. Infelizmente, como a cesárea, ela é usada
rotineiramente e não apenas quando há uma real necessidade para evitar a
cirurgia.
Há outra
corrente, que eu acho mais interessante, que diz que não é o corpo da mãe o
responsável por dar início, mas, sim, o próprio bebê que manda um sinal de que seus
pulmões já estão prontos. O fato é que
quando o bebê está pronto ele dá o sinal e as contrações começam! E o que é responsável
por essas contrações? O amor!! E quando as mulheres passam a agendar seus partos, antes
mesmo de sentirem as contrações, escolhendo data, hora e signo dos seus filhos, a ocitocina, o hormônio do amor, responsável pelas contrações, deixa de ser utilizado! E aqui termino com uma pergunta do filme para que todos possam refletir:
“E o que significa isso
a nível de civilização?”
Livro que eu recomendo
para quem quer se aprofundar no assunto:
Parto normal ou cesárea? de SimoneGrilo
Diniz e Ana Cristina Duarte da Editora Unesp.





